A primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, usou sua voz pública, nesta segunda-feira (15), para defender as filhas de Silvio Santos após declarações atribuídas ao cantor Zezé Di Camargo provocarem forte repercussão nas redes sociais e no meio político. O episódio, que começou como uma crítica ao cenário institucional do SBT e também motivou uma manifestação oficial da emissora por meio de uma carta aberta assinada pela CEO do SBT, Daniela Beyruti, rapidamente ganhou contornos mais profundos ao levantar discussões sobre machismo, misoginia e violência simbólica contra mulheres em posições de poder.
No domingo (14), Zezé Di Camargo, que pediu para retirar sua participação no Especial de Natal gravado para a emissora, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram criticando a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento de lançamento do SBT News. Na gravação, o cantor afirmou que as filhas de Silvio Santos estariam “prostituindo” a emissora ao convidar autoridades institucionais para o evento.
A fala causou indignação imediata. Para Janja, a escolha das palavras não foi apenas ofensiva, mas também carregada de misoginia, por atingir diretamente mulheres que ocupam cargos de decisão em um espaço tradicionalmente dominado por homens.
Em manifestação pública, Janja da Silva classificou a declaração como um ataque violento às mulheres. Segundo a primeira-dama, afirmar que as filhas de Silvio Santos estariam “prostituindo” a emissora reflete um pensamento que insiste em deslegitimar a presença feminina em espaços de poder.
“Falar que as filhas de Silvio estão ‘prostituindo’ ao convidar e dar voz ao Presidente e demais autoridades no evento do SBT News reflete todo o machismo e a misoginia presentes no pensamento e nas ações de homens que seguem desrespeitando a presença das mulheres em espaços de poder, alimentando discursos de ódio contra nós”, declarou Janja.
A primeira-dama também reforçou que esse tipo de discurso não deve ser tratado como algo isolado ou apenas como uma polêmica política momentânea.
Para Janja, falas como a de Zezé Di Camargo, que gravou o especial de Natal com a família, ajudam a normalizar agressões que começam no campo verbal, mas que impactam diretamente a vida das mulheres. Ela ressaltou que pensamentos e discursos desse tipo ferem moral e fisicamente mulheres todos os dias no Brasil.
“Quando falamos em nós no calor diante da violência contra as mulheres, é disso que estamos falando também. São pensamentos e discursos como esse, que ferem moral e fisicamente mulheres diariamente em nosso país”, afirmou.
Na nota divulgada, Janja da Silva também fez questão de resgatar o legado de Silvio Santos, destacando seu compromisso histórico com o espaço democrático e a pluralidade de opiniões na imprensa. Segundo ela, o próprio fundador do SBT sempre defendeu um jornalismo informativo, respeitoso e imparcial.
“Silvio Santos foi um dos principais comunicadores do Brasil e sempre prezou por um espaço democrático e pela imparcialidade da imprensa”, escreveu a primeira-dama, acrescentando que a presença de autoridades em um evento institucional simboliza exatamente os valores que o comunicador defendia.
Ela ainda demonstrou confiança de que as filhas, a esposa e o genro de Silvio Santos seguirão o legado do apresentador “com responsabilidade e brilhantismo”.
O episódio ganhou ainda mais relevância em um momento em que o Congresso Nacional discute o endurecimento da legislação contra a misoginia. Segundo informações da Agência Senado, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou o PL 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, que equipara a misoginia ao crime de racismo.
O texto define misoginia como a conduta que manifesta ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia masculina. O relatório favorável foi apresentado pela senadora Soraya Thronicke, que defendeu que a misoginia seja tratada como um crime coletivo, e não apenas como ofensa individual.
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